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Araruama
2 de fevereiro de 2026 - 02:44:41

Desfile cívico de Araruama celebra Proclamação da República com inclusão, tradição e participação popular

Após adiamento em 7 de Setembro por causa do mau tempo, ato cívico reúne Forças Armadas, segurança pública, escolas, instituições sociais e idosos em um percurso de 1 km pela Avenida Nilo Peçanha, no Centro da cidade.

Neste sábado (15), feriado da Proclamação da República, Araruama voltou a ocupar a rua com um de seus eventos cívicos mais tradicionais. O desfile, adiado no 7 de Setembro devido ao mau tempo, finalmente ganhou as cores, os sons e os símbolos do patriotismo local na Avenida Nilo Peçanha, no Centro, em um percurso de aproximadamente 1 km.

Mais do que um simples ato protocolar, o desfile deste ano evidenciou um traço que vem se consolidando na cidade: a tentativa de conciliar tradição militar, participação popular e visibilidade para causas sociais.

Abertura com imponência militar

A solenidade teve início com a apresentação da Aviação Naval da Marinha do Brasil, de São Pedro da Aldeia. Em uniforme de gala, os militares foram recebidos com aplausos do público, que se aglomerou nas calçadas da avenida. A passagem da tropa, marcada pela disciplina e pela cadência precisa, deu o tom solene da manhã e reforçou a atmosfera de respeito às tradições cívicas — um elemento que permanece como forte referência em desfiles desse tipo.

Em seguida, foi a vez do 25º Batalhão da Polícia Militar entrar na avenida, acompanhado de viaturas da PM e do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis). A presença ostensiva da corporação, com carros caracterizados e agentes perfilados, reforçou o discurso de ordem, segurança e civismo, frequentemente associado a esses eventos.

Segurança municipal e foco na proteção à mulher

A participação da Secretaria Municipal de Segurança complementou o bloco dedicado às forças de ordem. Viaturas da Guarda Municipal percorreram a Nilo Peçanha, seguidas pela Defesa Civil, num trecho que simbolizou a estrutura institucional de proteção aos cidadãos.

Um ponto de destaque foi a presença da Superintendência de Defesa da Mulher. Em meio a bandeiras, faixas e uniformes, o órgão aproveitou a visibilidade do desfile para ressaltar políticas públicas voltadas à proteção feminina e ao combate à violência de gênero. Em um cenário nacional em que a pauta da violência contra a mulher segue urgente, a inclusão desse eixo em um ato cívico mostra um esforço do município em vincular patriotismo também à defesa de direitos.

Banda Furiosa emociona e quebra estereótipos

Entre tantos momentos formais, um dos mais emocionantes ficou por conta da Banda Furiosa, da Superintendência da Terceira Idade. Idosos tomaram a avenida com entusiasmo contagiante, arrancando aplausos e sorrisos do público.

Uniformizados e afinados, eles desfilaram com desenvoltura, rompendo com estereótipos de fragilidade e passividade frequentemente associados à velhice. Na prática, a apresentação mostrou que envelhecer também pode significar ocupar espaços públicos, produzir cultura e participar ativamente da vida cívica da cidade.

Instituições sociais e culturais reforçam caráter inclusivo

O desfile não se restringiu às corporações militares e de segurança. Instituições sociais e culturais marcaram presença e reforçaram o caráter plural do evento.

A Pestalozzi e a Associação de Mães e Pais de Pessoas com Deficiência levaram para a avenida a pauta da inclusão e da visibilidade. A participação dessas entidades dialoga com um conceito mais amplo de cidadania, em que pessoas com deficiência não apenas recebem serviços, mas também se fazem ver e ouvir em momentos simbólicos da cidade.

Também estiveram presentes a Academia Araruamaense de Letras, que representou o segmento cultural e intelectual do município, o Coletivo Meninas de Iguabinha, conhecido por ações ligadas à juventude e ao protagonismo feminino, e o Rotary Club, tradicionalmente ligado a ações comunitárias e de serviço voluntário.

Juntas, essas instituições ajudaram a compor um mosaico da sociedade civil organizada, dando ao desfile contornos que ultrapassam o cerimonial oficial.

Escolas transformam o desfile em palco educativo e cultural

As bandas marciais das escolas municipais e particulares foram responsáveis por alguns dos momentos mais vibrantes da manhã. Com coreografias ensaiadas, arranjos marcantes e apresentações temáticas, estudantes de diferentes idades transformaram a avenida em um grande palco a céu aberto.

Ao todo, participaram 34 escolas municipais, seis instituições particulares e três estaduais. Crianças e adolescentes desfilaram em blocos coloridos, muitos deles destacando elementos da cultura brasileira — das tradições regionais às manifestações artísticas mais populares.

Em alguns grupos, as apresentações incluíram números de balé e performances cênicas, misturando civismo e arte. Para pais, responsáveis e educadores presentes, o desfile funcionou também como uma extensão do ambiente escolar, em que conceitos de cidadania, história e respeito às diferenças ganham forma concreta diante do público.

Encerramento com servidores e mensagem de unidade

O encerramento do desfile ficou por conta de servidores de diversas secretarias municipais. Em vez de apenas figurarem nos bastidores da organização, funcionários públicos foram colocados em destaque, simbolizando a engrenagem cotidiana necessária para que a cidade funcione.

Ao cruzarem a avenida, representaram, de maneira simbólica, a ideia de união entre governo e população, compromisso com o serviço público e fortalecimento do espírito patriótico em nível local. A mensagem final, ainda que sutil, foi clara: a administração municipal buscou mostrar que o patriotismo começa na cidade, com o trabalho diário de quem presta serviços à população.

Um ato cívico em tempos de reconstrução de símbolos

O desfile deste 15 de novembro em Araruama não aconteceu em um vazio histórico. Em um país em que símbolos nacionais e atos cívicos passaram, nos últimos anos, por disputas de significado e apropriações políticas, eventos como esse ganham outra camada de leitura.

Ao reunir Forças Armadas, polícia, guarda municipal, instituições sociais, escolas, idosos e crianças em um mesmo percurso, a cidade ensaia uma tentativa de recompor o sentido do que é “cívico”: não apenas a reverência a bandeiras e hinos, mas também o reconhecimento da diversidade de atores que constroem o cotidiano do município.

Entre a imponência da Aviação Naval, o rigor da Polícia Militar, a sensibilidade das instituições que defendem pessoas com deficiência, o protagonismo da Terceira Idade e o entusiasmo das escolas, o desfile de Araruama se converteu em um retrato da cidade que busca, ao menos nesse momento simbólico, alinhar tradição, inclusão e participação popular.

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